sábado, 1 de fevereiro de 2014

Tântricas...


      Cada dia é uma pérola num Universo perfeito. Que é magia da mais fina ourivesaria, jóia sagrada. Cada dia é polido, lustrado, a ser encaixado em colar, obra de uma vida. De repente, se alcança que todo seu fio-colar, toda sua vida, enfeita uma pedra. Que enfeita outro fio. E o que se teceu não é um fio, é adorno de parte de outro maior. Que, por sua vez, enfeita outro maior, qual mero pedaço de outro gigante. Porém, minúsculo a se encaixar noutro maior... E tudo nunca deixou de ser igual ao pequeno momento presente. Que se esculpe agora, barroca pérola, por vezes; límpida safíra, por segundos.
      E toda sua obra é tão pequena; também já não é mais sua, embora o todo, imenso, seja seu... e o Universo, em um ponto, é você. Embora nunca fosse seu. E o mundo é algo que lhe vaza. Como o sorriso que não deve sair; ou, algum humor que lhe escapa, quente, por entre as pernas... sai de você, é você, e, mesmo assim, você não o detém... e, de repente, tudo não foi mais que tolo segundo.

Hilde Camargo - 14/10/2010

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