INCRÍVEL
Você me perguntou como escrevo.
Se eu lhe dissesse, seria incrível.
No sentido mesmo de impossível
De se crer.
Melhor seria dizer
Inacreditável?
Não importa.
Não me importa e não lhe deve saciar
Tal resposta, pois nem eu mesma lha posso dar.
Escrevo com as entranhas;
Com a alma; com o pulsar
Do coração,
Do mar,
Da favela,
Dos elementais...
Escrevo a mim; a você; a todos;
A qualquer um. Jamais, porém, a um qualquer!
Derramo-me em letras
Que se esparramam a transmutar o branco
Do papel!
Grito! Existo! Sou!
Incrível, mas, assim é.
O terrível e o maravilhoso em um só espasmo
Mostrando-me quem sou e o que todo mundo é!
De ônibus, à cavalo, num jatinho, ou a pé!
Hilde Camargo - 26/09/2008.
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