domingo, 28 de dezembro de 2014

The nothing

      I could write the more sad verses this night, but I am not Neruda, not in this life, yet.
      Was exactly here, in this words that I stopped my wandering the last night when I tried have some words spitting out from myself.
      But still I have only poured some liquids, strange liquids from my pain, I wanted say, my pen.
      When I stopped I was like now... trying to do something... something that certainly was not a verse, neither the more sad ones. Because I do not know what love is as much one needs to know wich are the more sad verses.
      This last lack was the, untill now, wich one was the minor. Could not have completed even three years, was only two and something.
      Today I am in that other side from lackness period. I am in that kind of night where you can write the more sad (or almost it) verses, if... you were Neruda... But then, you remember you are not, and your rocky and cold heart was not made for love. Only love and nothing more, a desert of love, a desert called love, a improbably sufocating box but wide desert of love. Only love, wherever you look... love. Without yourself, without friends, without time, and, without life into a mass in a mess of lives.
      One can stopp in a lack of life writtin due to so many reasons. But the strongest reason came to me as my rock here into my chest ( that people insisted in calling heart...) being invaded again.
      And when I want to escape from my pain, my pen, I mean, I can find a lot of pretexts of respect to someone, charity, giving to other one his or her turn to show me, to show me something more of that desert.
      When my rock beats again, I can see the world, I can feel the eras with all that they really need in true... I can see again that we are nothing, and that is our peace and reason to broke with our indifference, with our unnecessary wonder walls, and, then, breath...
      Breath not because we are special or untouchable, breath only why we are nothing and so we have not all this responsability to being perfect everytime or mean something.
      We only are! Such as anything.
      Everytime I finish a lack and can feel again this nothing, I can write once more. And it could be the more sad words, but it would not be so sad, because I am out again, out from the lack, out from the desert, so, sad means nothing again,
      Then I realize that I could write the more "nothing" words today. And, in fact, I just did it, right now.

sábado, 1 de fevereiro de 2014

Você e eu em mim (n.2)

VOCÊ E EU EM MIM (I)

CAPÍTULO I

      Todas as noites destes últimos anos eu saio. Como que fora de mim, dou as mesmas voltas, instintiva e mecanicamente vou aos mesmos lugares, às mesmas pessoas... rotina, nem doce nem amarga, apenas mais uma rotina.
      Eu poderia não o fazer. Daria um rumo melhor à minha vida. Mas, quando dou por mim, nada mudou, eu não mudei... Estou qual um cachorro vadio e sem destino, eu estou vazio atrás dela.
      Algumas noites eu encontro alguém legal para ficar, homem ou mulher, não me importa. Mas são todos e todas iguais a mim, vazios e vazias dela. Nem mais sei se dela realmente, ou se de tudo que imagino, entusiasmado,  possa representá-la. Esse tudo e tanto que ela encarna, a mim, e simboliza em sentido e plenitude de vida para mim.
      Numa procura estafante, eu saio por obrigação, eu me vinculo a certas pessoas por obrigação, eu viajo, eu me desgasto, eu me perco, por obrigação de encontrá-la. De vê-la, de possuí-la toda. E minha vida se perdeu por entre as rotas tão racionais e calculadas que traço nas noites. E pessoas me são perfeitas e nos fazemos bem, muito bem até que eu me recorde que não são ela. E, satisfeitos todos, eu os vejo e a mim também paralelamente vazios de um certo alguém... E não abandono a rotina, entrego-me ao seu fluxo até parar em pessoas, para depois retomar meu vício.
      E nele me esquecer de que me chamo simplesmente João, é, João, não John ou Johny, ou Joe; João mesmo, João da Silva, e que tenho trinta e dois anos de idade e curso engenharia. Que não é engenharia da Poli nem de outra brilhante faculdade, é de uma qualquer particular, e nem sei se vou nela até o fim ou se desisto, não por falta de grana porque meu pai me dá tranqüilo mais de cinco mil por mês e nem me pergunta para quê; e, eu, por minha vez nem sei para onde essa grana vai nem de onde é que vem. Nunca pensei nisso. E também não sei se me interesso em fazer faculdade alguma. Eu poderia ser jornalista e vê-la sempre ou a descobrir, às vezes, mas... teria de estudar demais.
      Quando eu era pequeno e não podia ainda ir à escola, logo que eu comecei a falar, meu pai, enquanto lia seu jornal de economia (ele é economista), me pegou dizendo algumas palavras que lhe soavam familiares, só por isso parou a leitura, levantou o jornal e me viu só de fralda ali na frente dele, eu comecei a rir; e, antes dele me xingar e mandar parar de incomodar, olhou o verso de seu jornal, a parte que ficara voltada para mim, e, pálido, balbuciou as mesmas palavras que havia escutado de minha boca.
      Saltou-me como um corcel fogoso e correu toda a casa anunciando a fantástica novidade. Tinha um filho gênio. Bem, realmente, tinha e tem um filho. O gênio, todos nós procuramos até hoje...
      Aliás, percebam, minha vida é procurar... sempre fui assim. Até que meu tio-avô, lungüista nato, mas diplomado também, além de grande poeta, em sua sensibilidade e profunda pena de seu sobrinho (o meu pai) como que numa cruzada quixotesca empenhou-se com o resto de todas as suas forças fazer-me poeta ou escritor ao menos. Mesmo que, grande poeta que era, soubesse que poetas não se fabricam. Tentou, enfim. Desesperadamente tentou. E antes que se fosse, conseguiu, ao menos, introduzir-me ao mundo das letras.
      Esta ânsia tinha lá sua razão. Ele e meu, aliás, ele, meu pai, minha mãe, minha única avó (materna), as empregadas, (não tenho irmãos), os cachorros, a grama do jardim, os vizinhos, a cidade (Iracema do Norte, interior do sudeste brasileiro), todos, todos, inclusive eu (do alto de meus dezessete anos a essa época), sabíamos: Eu! Bem, eu não queria era ser nada! Nem padre nem budista nem harekrishna nem polícia nem bandido nem traficante nem mendigo. Poeta? Tinha pena de dizer não a um tio-avô tão idoso (oitenta e sete anos).
      Era tempo do Fernando Henrique ainda ilustre desconhecido, mas o plano real não saía da boca de meu pai, de suas conversas, da mesa do jantar, e ele não nos deixava olhar para a TV ligada enquanto falava dos zeros sendo cortados, do  dólar e de todo aquele economês traumatizante (para mim, ao menos). E minha missão, o sentido de minha vida passou a ser fugir obstinada e apavoradamente (como um pequeno demônio ao qual a cruz fará derreter...) do meu pai e daquele enorme rolo compressor que era o dever de ser o futuro gênio da Economia! O ultrapassador de Marx e etc! E eu fugia desesperadamente!
      Bem mais confortável era o plano B de meu tio-avô, mais "tranquilão", ele me passava as coisas do mundo das letras. Por caridade moral eu as ouvia. Até que peguei um certo gosto. Como daquele animalzinho que a gente não quer, mas ele vai ficando na casa e, por fim, a gente se apega a ele. Apeguei-me ao mundo do meu tio-avô, seu Guilherme era seu nome. Costa, Guilherme Costa da Silva.
      Meu pai, Júlio da Silva, só. Minha avó tinha horror aos garotos que chamavam junior na vizinhança, todos eram encapetados, como ela dizia. Como o nome do meu avô era Júlio Costa da Silva, o meu pai seria Júlio Costa da Silva junior. Daria em junior, juninho o coisa assim, ela, supersticiosa (das superstições dela, de propriedade inelectual somente dela, nada de clichês de escadas, espelhos quebrados ou gatos pretos...), fez tirar o Costa (que também, segundo ela era uma parte esdrúxula do corpo só que sem a letra s no final, grafada errado ainda; ou, então uma ribanceira, despenhadeiro a próximo ao mar, enfim, poderia tirar que ela não ligava).
      Meu avô era do tipo "muito macho", mas... era isso ou o suicídio dela. Bem, meu pai ficou com  nome Júlio da Silva, Julinho, e ponto. E eu João da Silva, pois minha mãe é Mirtes Silva.
      Guilherme Costa da Silva, peguei vários livros em sua imensa sala de leitura com seu próprio nome. Ele tinha muitas poesias. Através delas pude entrever o que ele passou. Tive curiosidade sobre o tempo em que ele tinha a minha idade, só um pouco. E ele me meteu um Curso Completo de História Geral e do Brasil. Afeiçoei-me também. Meu pai vibrou, minha mãe chorou de emoção. Mas estou aí, na vida, não sou o próximo baluarte da ciência História! Eu curto ler História, mas é só isso.
      Meu tio-avô faleceu dia primeiro de agosto de dois mil e quatro e me deixou de herança toda sua sala de leitura. E em torno dela, como envoltório, a sua casa, sua cozinha, seu jardim e seu quintal. É a casa onde vivo hoje. Mais para não ter que ser o futuro expoente de alguma ciência (acadêmica!) do que para viver só, aqui... tão só. Escrevo e pego baladas! Mais vou às baladas que escrevo. Aliás, escrever o quê?! A única coisa que me faz escrever é... ela! Aquela mulher, menina, piranha, santa, sei lá do que chamá-la. Raios!
      Queria mesmo a minha mãe, mas, fujo do futuro brilhante gênio "João da História", "João das Letras", "João da Economia", "João da Música", "João de Deus". Fujo. É triste meu caminho. Solitário andar por tanta gente fingindo a mesma "alegria" e "fodice" que você mesmo, um mar de idiotas e você "o mais ainda", sabendo enganar-se e fingindo assim mesmo sem conseguir parar, sem poder parar; sem sentido nenhum. Mas, entre isso e nada, isso é alguma coisa. E, prosseguimos.
      E não sei se isto é um bom texto, se o capítulo está muito extenso. As pessoas preferem o quê quando já não há mais tempo para se lerem umas às outras? Já não sei se deveria ter capítulos ou apenas ser isto tudo um peido de cento e quarenta caracteres. Não sei, temo que vazaria algo mais, um negativo e vermelho algo mais não caberia... escrevo em capítulos um livro, enfim.
      Enfim, enfim, enfim, uso muito a palavra enfim, usava então atrás de então até que um ser perfeito achou graça e eu fiquei sem jeito. Toda vez que ouço esta palavra me lembro deste ser, enfim. Acho graça. Aliás, todo mundo é uma graça, mas não é ela...
      Eu até me dou bem para todo mundo, quer dizer, me dou bem com todo mundo. Não sei se o capítulo ficará muito extenso, mas, às vezes, pressinto que sei ser bacana até, mas e daí?!
      Eu sou eu e as pessoas são as pessoas, bacanas também, mas e daí?! Este mundo, às vezes, fica tão cinza e quanto mais as pessoas querem amor, foda, lambidas sei lá, quanto mais querem menos dizem isso e mais agridem. Eu não tenho de ser bacana a toda hora debaixo de socos e pontapés mesmo que eles venham de amor não dito! Eu diria sem problema algum que desejo as pessoas, mas para depois de tudo dizer que essa pessoa não era ela. Eu poderia, sim, mas pressinto que seria o mesmo que dizer lá em mil novecentos e noventa e cinco ao meu tio-avô que não queria saber de suas poesias nem de seu fantástico mundo das letras. Não conseguiria.
      Eu não sei se o senhor Guilherme Costa da Silva teve ganas de me tratar como estes seres, tão perfeitos para eu suar, me tratam, com a ira que vi saírem de seus olhos por eu não dizer as coisas que deveria. Bem, se ele teve essas ganas, não percebi. Talvez um dia eu me descubra em alguma de suas poesias em que reclama sobre a pusilanimidade e falta de tesão que assola o mundo. Não me lembro também se ele deve ter rimado algo sobre falta de foco... sei lá! É recente ainda seu falecimento, faz apenas seis anos e quatro meses. Não me caiu a ficha ainda que o meu ancestral poeta já se foi. E só me ficaram seus ecos de alguma rima ainda não completa, "pós-graduação... pós-graduação... pós-graduação..., "oriente-se"...
      E, de repente, um "Então, resolve isso logo!" me acorda, enfim! Não consigo abraçar o mundo. As coisas devem ser feitas uma de cada vez! E o mundo passa pujante, que vontade de agarrar! Mas... as pessoas continuam desfilando sem noção e quando me reparo pergunto ainda, como sempre, "para onde vão?!". O silêncio da noite responde frio, cortante, seco e duro: "Lugar nenhum que não seja ela"! Acordo, enfim! Acordo, mas vejo que minha mão não parou de escrever um mísero segundo uma comédia de mim, tão idêntico a todos, então, uma breve comédia de nós, onde enlaçamos inesperadamente a todos nós mesmos. Porém, não exatamente com a enlaçada ou a encaixada que desejávamos ou que queríamos. Acordo. E a vida na ponta da caneta não parou. Nunca vai parar. Como esta mulher que procuro. Meu desejo.
      E ela é tão dialeticamente oposta a mim! Eu devo ser muito rico (creio eu), ela, eu sei, embora inventem o oposto, é muito pobre; eu como todas as refeições e também não sei onde meter cinco mil de mesada, ela, eu sei, embora mintam que não, toma o café da manhã para ir caçar à unha o jantar; eu sou isso aí que disse até agora (quase nada, não?), ela, eu sei, embora o que dizem pareça um pouco menos ainda que eu, adora estudar, lutou para escolher a profissão que quis, embora se esforcem para parecer o contrário, tem toda a determinação que eu não tenho, e se sai uma vez por ano, ainda corro o risco de estar exagerando, nisso não consigo crer! Como ela consegue?! Deve ser mentira. Saio todas as noites só para pegá-la de surpresa! Por todos estes anos eu devo ter passado bem perto de encontrá-la, se não consegui, foi por um triz!
      Só temos eu e ela uma única coisa em comum: ela também é dada a escrever. Só lhe falta mais estudo. Faltou mesmo meu tio-avô! Juro que o emprestaria, minto, eu o daria todinho a ela de bom grado, e a mim também e não pararia aí não, daria toda esta sala de leitura de onde escrevo agora e toda esta residência que a envolve, minto, daria o mundo. Creio estar apaixonado.
      Imagino onde ela estaria agora, o que estaria fazendo. Será que me conhece, já ouviu falar de mim, ao menos? Ela não sai da toca. Penso em descobrir onde ela trabalha, mas me arrependo em seguida. O que eu diria, o que eu faria?
      Por fim, volto sempre ao mesmo ponto. O que me resta é escrever sobre ela. Foi assim que comecei a rabiscar estas palavras e inspirado na determinação dela, vou até o fim! Talvez não a encontre nunca, talvez ela não exista, talvez o nome dela não seja Elisa Camati. Que nome bonito. João da Silva rico, Elisa Camati pobre. Comédia.
      Escrevo por Elisa, escrevo Elisa. Já ganhei bastante dinheiro escrevendo Elisa, matando Elisa, inventando Elisa, amando Elisa, comendo Elisa em todos os sentidos. Mas, realmente, nunca tive Elisa. Elisa Camati. Ontem vi o comercial daquele carro Camaro, lembrei dela! Das muitas novelas que "punhetei" Elisa para o mundo, imaginei Elisa chiquérrima pilotando tudo aquilo, "punhetei" em cenas e cenas de novela até cansar. Depois me senti culpado. Se for verdade que ela ainda não jantou? Eu a escrevo e ganho a grana que não preciso. Ganho o que falta para ela. E será que ela ainda me cantaria "Venha me beijar, meu doce vampiro..."?!
      Oh! Culpa tremenda! Quero borrar e preencher todo este papel com tinta por letras e mais letras, palavras completas de sentido até acabar com este meu vazio, esta minha culpa!
     
Mea culpa, Elisa, mea culpa! Mas quero, tenho que dividir com o mundo esta mulher, esta garota que nunca peguei!
      Por isso decidi escrever "nosso" passado. Tenho trinta e dois anos de idade, ela tem trinta anos de idade. Nasci no dia onze de março de mil novecentos e setenta e oito; ela nasceu dia onze de março de mil novecentos e oitenta. Será verdade?

Hilde Camargo - 10/12/2010

[CAPÍTULO II]

Você e eu em mim (n.1)

VOCÊ E EU EM MIM

 
PREFÁCIO


      Existem amores, inventados ou não, que procuramos a vida toda e desesperamos  de os encontrar mesmo que uma única vez,
en passant. E existem amores que não esperamos jamais, que nem são tão amores nem tão desejados, mas se perfazem, completos, começo, meio e fim, tudo tão simples, sem complicações. E se vão ou ficam em outras formas. Existem, enfim.
      Do mesmo modo, existem livros, existem romances, existem novelas e etc. Existem amontoados de letras pertencentes a uma classificação (ou taxonomia?) acadêmica qualquer que nos angustiamos em lhes dar sentido: começo, meio e fim. Porém, ou eles nunca terminam ou nem mesmo começam. Como aquele amor que esperamos a vida toda sem nos darmos conta de que ela passou. E como que num mundo, todo paralelo, simplesmente vivemos o surgimento de um livro qualquer, porém já perfeito, em termos de começo, meio e fim.
      E esta coisa inexplicável é este aqui, enfim.

Hilde Camargo - 10/12/2010, 4:00 da matina, em verdade, meu reloginho do computer está errado.

[CAPÍTULO I] 

Admirável

ADMIRÁVEL: NO BEM OU NO MAL, SUTIL DIFERENÇA.
 
Admirável.[do lat. Admirabile] Adj. 2 g. 1. Que causa admiração. 2. Digno de ser admirado; admirando: “- Ó piedosa mulher dos olhos admiráveis/ Miserere mei!...” (Gomes Leal, A mulher de luto, p 181 .) [Pl.: admiráveis . Cf. Admiráveis, do v. Admirar.]
 
(Dicionário Aurélio)
 
ad.mi.ra.ção

Substantivo feminino.
1.Sentimento de deleite, enlevo, respeito, etc., ante o que se julga nobre, belo ou digno de amor, de consideração.
2.Espanto, assombro, surpresa. [Pl.: –
ções.]
 
(do minidicionário Aurélio)
 
      Pessoas, quando se amam, digo de amar mesmo, não de apenas haver interesse físico ou econômico, admiram-se. E tão profundamente que passam a se confundir. Vestem-se igual, brincam igual, riem igual, falam igual, tratam-se igual( e dos dentes, cabelos, unhas e tornozelos, etc, também...). Mas, isso tudo por amor. Admiração. Afinidade inexplicável e injustificável, enfim.
      Ocorre que as pessoas que odeiam, com aquele ódio invejoso, mórbido, deletério e assassino, também admiram profunda e terrivelmente com todas as suas forcas, digo, forças. Vestem-se igual, maquiam-se igual, falam igual, tentam fazer tudo igual (tentam...), piadas, risos, tudo igual, no entanto, não por amor, mas por ódio. Ódio filho daquela inveja odienta, nociva e pegajosa, mórbida. Ódio vindo do profundo amor, mas não do amor pela pessoa em mira, mas amor, profundo amor, pelo que ela é, amor por ser ela e não amor por ela. Aí sim, eu engulo e aceito a história de que amor e ódio andam de mãos dadas. Andam, sim, o amor-próprio deturpado e doentio com o ódio doentio por um outro ser qualquer e imbecil que está “sendo” aquilo que este ser invejoso queria estar “sendo” sempre.
      Ódio-amor pelo que o ser objeto de suas flechas envenenadas é, e não ódio-amor pela pessoa. Esta é mero empecilho a ser eliminado oportunamente, deixando o “cargo” livre, desocupado.
      Livre para ser preechido brilhantemente pelo adorador, pelo clone, que secretamente observou o objeto visado, paulatinamente, dia após dia, até o momento oportuno da desforra selvagem.
      Não era a Lennon que seu fã-assassino (amor-ódio) adorava, ele admirava não a Lennon, ele adorava ser Lennon e não o Lennon.
      Eis a sutil diferença, toda a diferença que habita (água e óleo) dentro de uma mesma e pequena palavra: admiração.
Admiração não é em si mesma terrível, desprezível, apavorante ou inacreditavelmente cruel. Nem deve-se fugir dela como Cristo de sua Coroa terrena. Pois, se ela vem do amor é a “reprodução” mais deliciosa do mundo; é só perniciosa mesmo a “clonagem” vinda do ódio invejoso, do despeito.
      Quando percebo eu estou até gesticulando como a quem admiro e posso conviver. E, até hoje não eliminei ninguém; muito ao contrário.


Hilde Camargo - 06/12/2010. 

Não compreendo

NÃO COMPREENDO


   Dentre tantas e tontas baboseiras, só não aceito uma: como que para se justificar que um ser abjeto domine, frustre, resseque, tantas vidas dentro de um lar, se aceite a explicação de que Deus deu a ele e seu varão tal poder de decisão; mas, que se faça tanta vista grossa ao poder, que se constata no fato biológico, que Deus deu factualmente, concretamente, biológicamente, por força da Natureza, à mulher na criação?!
   Por que, para se justificar que o homem domine e decida vidas é necessária tanta abstração e consulta a Sagradas Escrituras, tantas masturbações mentais para se construírem faraônicos edifícios de teses e teses que justifiquem, à força, que Deus concedeu ao homem decidir, sufocar, aprisionar e definhar vidas, e, não se aceita, não se ajoelha diante da óbvia decisão de Deus, mediante a concretude palpável e sólida de que pôs Ele sob o domínio e soberania de seu território corporal, sob seu nariz e suas mãos, o poder da mulher dizer sim ou não à vida; o poder de possibilitar ou não a vida?! Por quê?! Há algo estranho no ar e não é amor!
   Se entre os homens quem cala consente; se entre os homens certos atos confirmam fatos e intenções; por que a atitude d'Ele não confirmaria Sua decisão?!
  

meu computador deve estar  imbecilizado, também... agora são 22 e 30 do dia 25 de 10 de 2010, não sei pq a data estah diferente!

Hilde Camargo - 25/10/2010.

Perplexidade

      Eu me pergunto, às vezes, de onde vêem as palavras apelidos das coisas, e me respondo: de nossas misteriosas forças de associação de elementos do mundo das idéias ao concreto, ao cinza da concretude. E, tento desvendar esse fenômeno de apelidamento a tudo que damos bola.
      Por vezes, tudo isso, todo esse processo (cansativo até...) não passa de pura fuga. Desvio, mesmo. Fuga! Como a dança de um caranguejo que não se atira de pronto, direto ao ponto, mas dança de lado, circula, volteia, faz-se crer indo em direção tranversa, tangente, à que realmente querem seus tentáculos prender... tudo muito vago, impreciso, indecifrável até que se perceba o fim.
      Um desvio, um câncer. Como a perplexidade que nos provocam células "alucinadas" de um imenso exército-organismo (um corpo humano) onde todas têm lá sua função, um início, um envelhecimento, uma procriação e um final, tudo isso dentro de uma finalidade, dentro de uma razão de ser. Todas interpenetram-se em suas funções, humores, estímulos e sabe-se lá mais com o que (como as formigas...) misteriosamente articulam-se, "comunicam-se", e levam adiante o "projeto" organismo que prossegue caminhando (com razão?) sobre a fina casca de uma bola que arde em chamas por dentro, embora envolva-se em tanta água... e, de repente, tais "alucinadas" células perdem a razão de ser e irracionalmente, sem justo motivo, replicam-se, replicam-se, replicam-se... orgiam-se, orgiam-se, orgiam-se numa espécie de revolta do querer ser mais e acima de tudo, sempre mais, porém, sem um porquê (um fim) que justifique essa ânsia de querer o corpo todo só para si, de anexar todo o imenso (quase-universo) território-corpo, ao seu microscópico lugar, alastrando-se, como um Napoleão, um Hitler, anexando toda Europa para si, minúsculo si...
      Esta mesma perplexidade é a que se apodera de mim ao comparar os mesmos desvios nos exércitos-organismos em sua expressão maior, em seu todo. Eles perdem a razão e não agem com propósitos, mesmo assim, se agissem mesmo que por esses propósitos, estariam agindo dentro de propósitos, com uma razão de ser, um porquê (mesmo que um bobo porquê...), agiriam com propósito, sem desvio. Agiriam reto, sem desvios.
      Mas, não, desviam-se. Como um câncer, fazem coisas sem fundo, sem razão de ser. Queimam energias demais criando coisas indecifráveis que se esvaem. E, não se diz mais a um outro ser "Vem cá! Porque só quero te ver! Só te olhar e ver se está tudo bem!"; não se diz mais "Quero passar doze horas ao seu lado, sem explicação, simplesmente quero, podemos até não fazer nada, mas estaremos ali, no mesmo espaço geográfico!"; não se dizem mais coisas diretas de lá da alma. Os desejos, porém, continuam ali. A partir disso, cancerosamente, os seres, em fuga de assumir essas falas "banais", replicam, replicam, replicam absurdos, mal-entendidos, enigmas indecifráveis, frases indecifráveis, quais esfinges a devorarem os que não resolvem seus dilemas, atapetam o caminho que leva até eles com finas cascas de ovos e gritam "NÃO AS QUEBRE!" ao mesmo tempo que sussurram "VENHA ATÉ MIM!". O que só poderia provocar o olhar de perplexidade; olhar confusão, de quem pisa em ovos.

Hilde Camargo- 12/10/2010 

Tântricas...


      Cada dia é uma pérola num Universo perfeito. Que é magia da mais fina ourivesaria, jóia sagrada. Cada dia é polido, lustrado, a ser encaixado em colar, obra de uma vida. De repente, se alcança que todo seu fio-colar, toda sua vida, enfeita uma pedra. Que enfeita outro fio. E o que se teceu não é um fio, é adorno de parte de outro maior. Que, por sua vez, enfeita outro maior, qual mero pedaço de outro gigante. Porém, minúsculo a se encaixar noutro maior... E tudo nunca deixou de ser igual ao pequeno momento presente. Que se esculpe agora, barroca pérola, por vezes; límpida safíra, por segundos.
      E toda sua obra é tão pequena; também já não é mais sua, embora o todo, imenso, seja seu... e o Universo, em um ponto, é você. Embora nunca fosse seu. E o mundo é algo que lhe vaza. Como o sorriso que não deve sair; ou, algum humor que lhe escapa, quente, por entre as pernas... sai de você, é você, e, mesmo assim, você não o detém... e, de repente, tudo não foi mais que tolo segundo.

Hilde Camargo - 14/10/2010

Pessoas

Entender as pessoas não é difícil, se você as ouve.

Você tem que entender...


VOCÊ TEM QUE ENTENDER...

Jesus a ama!
Mas, o mundo também!
Você tem que entender
O... A-M-O-R!
Você tem que aprender
Que o mundo a ama tanto
Que você deve
Morrer quieta!
Que o amor é tamanho
Que enquanto
Você é dura,
Não mora, não come,
E se resseca,
O mundo a ama!
E confie, seja fiel!
Mas... você tem que entender
Que o mundo a ama
Só enquanto você some quieta
Mas, não ouse morrer “causando”,
Não se atreva a morrer
Cantando, dançando, sorrindo,
E... já que vai morrer... fumando
A vida que é sua,
Não se atreva a morrer
Sendo você, brilhando!
Alguém deve lhe doutrinar, menina!
Que o mundo a ama tanto,
Mas tanto, que deseja
Que você morra quieta!
Enquanto você se apagar quieta,
Ore! Aleluia! Irmã!
Mas se você for você mesma!
Esta morte não vão lhe permitir!
Irmã... morra anônima e quieta!
Ou alguém que lhe controla o ar
Alguma vez a recolheu do asfalto?
Ou esse alguém alguma vez
Ofereceu-lhe abrigo sem lucrar
Nada em troca?
Ou esse alguém lhe deu comida?
Ou esse alguém lhe socorreu
Quando era espancada?
Ficou do seu lado ou do mais forte?
O mundo a ama, baby, ama!
E deseja que você morra apagada

Quieta...

Eu queria... não quero mais...

Sim, eu queria
Saber o quão você é vermelho;
Eu queria saber
O quão você ama as mulheres
Seja você homem ou mulher;
Eu queria saber
O quanto você ama a justiça
Eu queria saber
Se sabe realmente o que é Deus,
E, em o sabendo,
O quanto em verdade o ama.
Eu, para saber...
Queria era ver,
Ver você ali na hora H
Quando na surdina lhe fizessem Rei,
E lhe estendessem
Bem debaixo de seu sedento nariz
Todos seus privilégios, prazeres e delícias
Bem ao alcance de seus dedos.
Aí, bem nessa hora, queria eu
Ser uma pequena mosca
A lhe observar.
Queria ver se é vermelho nessa hora.
Eu queria ver
Você onde não estou,
Quando não estou
Nas rodazinhas de suas piadas,
E constatar, ao falar de uma herdeirazinha,
Mesmo que suposta...,
O tamanho de seu respeito pelas mulheres!
E nessa hora, bem a vontade,
Bem longe do mundo,
Se lhe sugerissem desrespeitar
Uma sequer delas
Em troca de algo bem maior...,
Queria ver o quanto ama as mulheres!
Queria ver bem nessa hora
O tamanho de seu amor
Pela Justiça!
Queria ver você em secreto,
Se em algum momento pára
E pensa como ou o que realmente
Viria a ser Deus.
E bem nessa hora
Queria perscrutar-lhe o íntimo
E ver se com Ele barganha, troca,
Ou se você se sujeita
Dele ser pau pra toda obra!
Ou, se infantilmente prefere
Iludir-se
Que possa existir neste plano
Com Ele uma conversa...
Tão fácil assim como num celular...
Como com um amigo mais criança ainda,
Ou, algum falso profeta
No qual sonsamente acredita.
E... queria ver,
Se acaso alguém lhe abrisse os olhos,
Se mesmo assim,
Mesmo sabendo que jamais
Ele se manifestaria assim,
Queria ver nessa hora
Se você o amaria mesmo assim!
Sem nunca tê-lo
Como os infantis o querem ter
Neste diabólico plano em que vivemos
Acorrentados...
Eu queria tanto...
Não quero mais...
Se o preço for você
Não perceber que nada é fantástico
Que é tudo tão simples.
Quase chato
Se não houver um palhaço
A lhe fazer rir
Mesmo que entre pilhérias e tintas
Algumas lágrimas tenha de esconder
Só para lhe ver ao menos...
Sorrir!
Do Diabo? Da vida que lhe deu?


Hilde Camargo - 10/08/2009

Diálogo do bedel com o diretor

- Diga-me, Lúcifer, como vai?
- Vou mal, Senhor diretor, meu querido Pai!
- Mal, por que agora?
- Ah, Senhor, se pudesse iria embora...
- Mas, Lúcifer, que há? Assim mal o conheço!
- Ah! Por aqui nada é bem vindo.
- Quanto a isso já o havia prevenido.
- Prevenido sim, mas jamais imaginei...
- Como?
- Que seria tanto assim!
- Já lhe disse, filho, que a sua imagem já haviam deturpado.
- Quanto a isso até consegui manter-me calado!
- Mas do que reclama? Por que não cumpre com seu dever q'o chama?!
- É aí que está! Receio não conseguir...
- Mas, então, por que o enviei?!
- Senhor, vou me explicar.
- E o quero compreender.
- Os homens, Senhor...
- O que têm, querem o seu mal?
- Quanto a isso preparado já me havia.
- Que há, então? É a sua fama que pintaram mal?
- Para isso preparado já estava.
- Que há com os homens?
- Vou ser direto, meu querido diretor!
- Que o seja, por favor!
- São bem simples nossos passos na evolução
- Sim, bem o sei.
- Na fase que estou, recebi minha missão
- Como todos aos que vê agora, também por ela um dia passarão!
- Sim, Senhor, é o que me consola.
- Lúcifer, não volte a praguejar!
- Senhor, é sem maldade, mas, bem feito, um dia saberão o q'é estar em meu lugar
- Para isso, milênios irão se passar
- Bem, disse que iria ser direto.
- É por isso que espero
- Senhor Diretor, quando termino essa pós-graduação?
- Filho dileto, quando terminar o seu projeto.
- Sinto-me abjeto, não sei se vou concluir.
- Prossiga, recebeu sua missão...
- Sim, mas os homens, Senhor, ah...
- Que há?!
- É simples o que tenho de fazer.
- Correto, ser Bedel para sua pós-graduação prover.
- Mas, o problema é ser Bedel, não poderia ser...
- Outro ofício? Não, faz parte da lição!
- Primeiro, dizem que sou isso ou aquilo.
- Como não poderia deixar de ser...
- Depois, tudo que construí, pregam que irei destruir!
- Como lhe avisei.
- Mil artes inventei, mil artimanhas usei.
- Em seu simples objetivo.
- Pelo fogo os fazer progredir!
- E para quê?
- Para não mais ser carrasco e ter de vigiar seus passos.
- E o seu curso concluir.
- Sim, se não fossem mais crianças não mais necessitariam...
- De Bedel!
- Sim, meu diretor.
- E aí você já poderia ganhar outros espaços.
- Como Philosophic Doctor, em outros espaços, meu orientador!
- E onde há a falha?
- Nos homens, Senhor!
- Como?
- Eles clamam por carrascos; não querem o amor!
- Não?!
- Não vejo a hora de evoluírem e experimentarem minha dor!
- Lúcifer, não volte a preguejar.
- Senhor, é sem maldade, é só minha ansiedade.
- Qual o seu problema?
- Senhor, eles nem diferenciam ainda a guerra do amor!
- O quê?!
- É, meu Senhor, não conhecem o amor.
- Só a guerra?!
- Sim, Senhor.
- Lúcifer, sei que é ardiloso...
- Não minto agora, Senhor. Vou me explicar!
- Por favor!
- Nada para eles tem um sentido, um nobre objetivo.
- Por exemplo...
- O Senhor não entende? É tudo guerra!
- Por exemplo...
- Assim, o Senhor me embaraça, meu diretor!
- Por exemplo...
- Deus do Céu! Tudo deles é desvirtuado!
- Por quê?!
- Pois é tudo guerra para um só aos demais se sobrepor!
- A única linguagem que sabem é a da guerra?
- Sim, Senhor!
- Prossiga, meu ator!
- O Senhor ordenou que lhes fosse dada a força.
- E para que a usam, meu beija-flor?
- Para o mais forte escravizar o mais fraco!
- Entendo...
- Não a usam para se unir, ou para levantar o caído!
- O que fazem?
- Usam-na para ele mais sofridamente morrer!
- Que triste prazer.
- Nem sei, Senhor, se isso pode se chamar prazer.
- Em seu curso vai entender...
- O Senhor ordenou que lhes fosse dada inteligência.
- E para que a usam? Para me verem?
- Não, amigo, para manipularem os fracos de saber
- E para quê?
- Ah! Senhor, em busca de poder.
- Para que o poder?
- Para à massa o tirano se sobrepor.
- E para quê?
- Ora, Senhor, para saciarem seu sádico prazer.
- De fazer o mais fraco sofrer?
- Sim, Senhor.
- Essa é a perversão, esses são os transviados do amor.
- É o que já penso, meu Senhor!
- Bem o sei.
- Mas, pûs-lhes fogo! Eis que surgiu o capitalismo!
- E o que se fez?
- Advinhe, Senhor, para se dividirem...
- Em empregado e em empregador?
- Sim, meu Senhor!
- E, para quê?
- Para saciarem o prazer de judiar!
- Transviados, pervertidos, afastados do amor!
- Pois é, meu Senhor.
- E que mais houve?
- Tornaram selvagem o capitalismo!
- Desde o início?
- Desde sempre, meu Senhor!
- Não conhecem seu sistema?
- Não, Senhor... quanta dor...
- Para eles só há um capitalismo?
- Sim, do mesmo modo que só fazem guerra, não amor!
- Lastimável, meu polêmico atiçador.
- Enfim, meu diretor...
- Diga, meu crucificado...
- A única glória que conhecem é a de ser "o opressor"!
- Tanto assim, meu imolado?!
- Senhor, numa simples conversa há uma luta brutal para que haja um dominador!
- Num simples diálogo?!
- Meu Pai, até em suas camas acreditam que tem de haver necessariamente...
- Um dominante e um dominado?!
- Sim, meu Senhor! Fazem guerra, não amor!
- Meu Deus!
- Senhor?! Fala consigo mesmo?
- Lúcifer, a quem mais EU clamaria?
- Que divertido, Senhor!
- Estrela da manhã, prossiga!
- Senhor, se não houvesse Estado, todos já 
se haveriam estuprado!
- Lúcifer, como você está encrencado!
- E para piorar, põem toda culpa em mim!
- Meu filho, a culpa é sempre do mordomo...
- Vivo pesadelo sem fim...
- Oh, meu filho!
- E o culpado de tudo "inda sou eu!
- Os adjetivos lhe são muitos?!
- E as tramóias e armadilhas mais ainda.
- Mas, no fim, vencerá!
- Mas, meu coração, Senhor, ah...
- Por fim, seu coração triunfará!
- A verdade virá à tona?
- Como tempestade!
- E a mesa irá virar e eu...
- Lúcifer, não volte a praguejar...
- Senhor, como os farei ver...
- Lúcifer, faça o que sabe, faça o que nasceu para fazer!


Hilde Camargo - 13/06/2007

Poesia versus forma

Poesia é o quê? Um combinado
De muitas regras? Sínteses de quê?
Um comedido grito? Ordenado,
Frio vulcão? Medusa com laquê?

Onde haveria graça, se amarrado,
Você correr quisesse e qual basbaque
Acorrentado, preso ali parado
Fosse obrigado a só ficar estanque?

Poesia vibra, pulsa e ela quer ser,
Quer aquecer, sair, e quer berrar
Algo maior que há em cada ser.

Não caberia só em um "fazer".
Extravasar, sair, se expressar,
Não sai assim tão fácil se há tolher!


Hilde Camargo - 09/06/2007

Soneto aos críticos


Então o quê? Pois já não sei fazer
Quinquilharias ao gosto dos velhos
E tão boçais carentes de saber
Algo difícil que é visto em meus versos

Que os generosos podem dar ou ver,
Mas, que o orgulho tapa aos vis olhos?
Então terei que já deixar de ser?
Irei ceder, acaso, todos sonhos

Que sonharei ao nada? Minha mente
Não gritaria mais? Calada em prisão
De formalismo, quieta qual semente

Esperaria a hora de eclosão?
Em formalismo havido somente
Para agradar àqueles sem visão?

Hilde Camargo - 09/06/2007

Ao futuro crítico vazio e imbecil

Estou pensando sobre ser boa narratriz
Obrigar-me-ei a copiar Machado de Assis
Nessa mistura de mundo cruel e conselheiro
No coração de uma atriz!
Darei a você todos os elementos da narrativa;
Contarei até quantas gotas contém algum chafariz;
Não me importarão as idéias nem o fluxo agradável
Do que lhe dizer meu coração quis.
Só me prestarei a lhe dar detalhes desimportantes.
Contarei os dias, contarei as horas,
Contarei as personagens...
Descreverei a cor de suas unhas;
A espinha desnecessária da ponta do nariz,
D´algum mancebo infeliz,
Que tanto faz para o que diz.
Aumentarei em cem páginas
O que diria
azeitadamente em quinze.
Só para fazer mais um hipócrita quadradão "feliz"!
Mas, quer saber?
Agora, fui atriz.
Jamais farei vítimas com "sua" narrativa contabilista.
Não sou tão boa atriz.
Quer saber?
Não me leia, vá procurar boa meretriz.
Sua inveja não mudará o que FIZ!

Hilde Camargo - 04/02/2007