sábado, 1 de fevereiro de 2014

Admirável

ADMIRÁVEL: NO BEM OU NO MAL, SUTIL DIFERENÇA.
 
Admirável.[do lat. Admirabile] Adj. 2 g. 1. Que causa admiração. 2. Digno de ser admirado; admirando: “- Ó piedosa mulher dos olhos admiráveis/ Miserere mei!...” (Gomes Leal, A mulher de luto, p 181 .) [Pl.: admiráveis . Cf. Admiráveis, do v. Admirar.]
 
(Dicionário Aurélio)
 
ad.mi.ra.ção

Substantivo feminino.
1.Sentimento de deleite, enlevo, respeito, etc., ante o que se julga nobre, belo ou digno de amor, de consideração.
2.Espanto, assombro, surpresa. [Pl.: –
ções.]
 
(do minidicionário Aurélio)
 
      Pessoas, quando se amam, digo de amar mesmo, não de apenas haver interesse físico ou econômico, admiram-se. E tão profundamente que passam a se confundir. Vestem-se igual, brincam igual, riem igual, falam igual, tratam-se igual( e dos dentes, cabelos, unhas e tornozelos, etc, também...). Mas, isso tudo por amor. Admiração. Afinidade inexplicável e injustificável, enfim.
      Ocorre que as pessoas que odeiam, com aquele ódio invejoso, mórbido, deletério e assassino, também admiram profunda e terrivelmente com todas as suas forcas, digo, forças. Vestem-se igual, maquiam-se igual, falam igual, tentam fazer tudo igual (tentam...), piadas, risos, tudo igual, no entanto, não por amor, mas por ódio. Ódio filho daquela inveja odienta, nociva e pegajosa, mórbida. Ódio vindo do profundo amor, mas não do amor pela pessoa em mira, mas amor, profundo amor, pelo que ela é, amor por ser ela e não amor por ela. Aí sim, eu engulo e aceito a história de que amor e ódio andam de mãos dadas. Andam, sim, o amor-próprio deturpado e doentio com o ódio doentio por um outro ser qualquer e imbecil que está “sendo” aquilo que este ser invejoso queria estar “sendo” sempre.
      Ódio-amor pelo que o ser objeto de suas flechas envenenadas é, e não ódio-amor pela pessoa. Esta é mero empecilho a ser eliminado oportunamente, deixando o “cargo” livre, desocupado.
      Livre para ser preechido brilhantemente pelo adorador, pelo clone, que secretamente observou o objeto visado, paulatinamente, dia após dia, até o momento oportuno da desforra selvagem.
      Não era a Lennon que seu fã-assassino (amor-ódio) adorava, ele admirava não a Lennon, ele adorava ser Lennon e não o Lennon.
      Eis a sutil diferença, toda a diferença que habita (água e óleo) dentro de uma mesma e pequena palavra: admiração.
Admiração não é em si mesma terrível, desprezível, apavorante ou inacreditavelmente cruel. Nem deve-se fugir dela como Cristo de sua Coroa terrena. Pois, se ela vem do amor é a “reprodução” mais deliciosa do mundo; é só perniciosa mesmo a “clonagem” vinda do ódio invejoso, do despeito.
      Quando percebo eu estou até gesticulando como a quem admiro e posso conviver. E, até hoje não eliminei ninguém; muito ao contrário.


Hilde Camargo - 06/12/2010. 

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