- Diga-me,
Lúcifer, como vai?
- Vou mal, Senhor diretor, meu querido Pai!
- Mal, por que agora?
- Ah, Senhor, se pudesse iria embora...
- Mas, Lúcifer, que há? Assim mal o conheço!
- Ah! Por aqui nada é bem vindo.
- Quanto a isso já o havia prevenido.
- Prevenido sim, mas jamais imaginei...
- Como?
- Que seria tanto assim!
- Já lhe disse, filho, que a sua imagem já haviam deturpado.
- Quanto a isso até consegui manter-me calado!
- Mas do que reclama? Por que não cumpre com seu dever q'o chama?!
- É aí que está! Receio não conseguir...
- Mas, então, por que o enviei?!
- Senhor, vou me explicar.
- E o quero compreender.
- Os homens, Senhor...
- O que têm, querem o seu mal?
- Quanto a isso preparado já me havia.
- Que há, então? É a sua fama que pintaram mal?
- Para isso preparado já estava.
- Que há com os homens?
- Vou ser direto, meu querido diretor!
- Que o seja, por favor!
- São bem simples nossos passos na evolução
- Sim, bem o sei.
- Na fase que estou, recebi minha missão
- Como todos aos que vê agora, também por ela um dia passarão!
- Sim, Senhor, é o que me consola.
- Lúcifer, não volte a praguejar!
- Senhor, é sem maldade, mas, bem feito, um dia saberão o q'é estar em meu lugar
- Para isso, milênios irão se passar
- Bem, disse que iria ser direto.
- É por isso que espero
- Senhor Diretor, quando termino essa pós-graduação?
- Filho dileto, quando terminar o seu projeto.
- Sinto-me abjeto, não sei se vou concluir.
- Prossiga, recebeu sua missão...
- Sim, mas os homens, Senhor, ah...
- Que há?!
- É simples o que tenho de fazer.
- Correto, ser Bedel para sua pós-graduação prover.
- Mas, o problema é ser Bedel, não poderia ser...
- Outro ofício? Não, faz parte da lição!
- Primeiro, dizem que sou isso ou aquilo.
- Como não poderia deixar de ser...
- Depois, tudo que construí, pregam que irei destruir!
- Como lhe avisei.
- Mil artes inventei, mil artimanhas usei.
- Em seu simples objetivo.
- Pelo fogo os fazer progredir!
- E para quê?
- Para não mais ser carrasco e ter de vigiar seus passos.
- E o seu curso concluir.
- Sim, se não fossem mais crianças não mais necessitariam...
- De Bedel!
- Sim, meu diretor.
- E aí você já poderia ganhar outros espaços.
- Como Philosophic Doctor, em outros espaços, meu orientador!
- E onde há a falha?
- Nos homens, Senhor!
- Como?
- Eles clamam por carrascos; não querem o amor!
- Não?!
- Não vejo a hora de evoluírem e experimentarem minha dor!
- Lúcifer, não volte a preguejar.
- Senhor, é sem maldade, é só minha ansiedade.
- Qual o seu problema?
- Senhor, eles nem diferenciam ainda a guerra do amor!
- O quê?!
- É, meu Senhor, não conhecem o amor.
- Só a guerra?!
- Sim, Senhor.
- Lúcifer, sei que é ardiloso...
- Não minto agora, Senhor. Vou me explicar!
- Por favor!
- Nada para eles tem um sentido, um nobre objetivo.
- Por exemplo...
- O Senhor não entende? É tudo guerra!
- Por exemplo...
- Assim, o Senhor me embaraça, meu diretor!
- Por exemplo...
- Deus do Céu! Tudo deles é desvirtuado!
- Por quê?!
- Pois é tudo guerra para um só aos demais se sobrepor!
- A única linguagem que sabem é a da guerra?
- Sim, Senhor!
- Prossiga, meu ator!
- O Senhor ordenou que lhes fosse dada a força.
- E para que a usam, meu beija-flor?
- Para o mais forte escravizar o mais fraco!
- Entendo...
- Não a usam para se unir, ou para levantar o caído!
- O que fazem?
- Usam-na para ele mais sofridamente morrer!
- Que triste prazer.
- Nem sei, Senhor, se isso pode se chamar prazer.
- Em seu curso vai entender...
- O Senhor ordenou que lhes fosse dada inteligência.
- E para que a usam? Para me verem?
- Não, amigo, para manipularem os fracos de saber
- E para quê?
- Ah! Senhor, em busca de poder.
- Para que o poder?
- Para à massa o tirano se sobrepor.
- E para quê?
- Ora, Senhor, para saciarem seu sádico prazer.
- De fazer o mais fraco sofrer?
- Sim, Senhor.
- Essa é a perversão, esses são os transviados do amor.
- É o que já penso, meu Senhor!
- Bem o sei.
- Mas, pûs-lhes fogo! Eis que surgiu o capitalismo!
- E o que se fez?
- Advinhe, Senhor, para se dividirem...
- Em empregado e em empregador?
- Sim, meu Senhor!
- E, para quê?
- Para saciarem o prazer de judiar!
- Transviados, pervertidos, afastados do amor!
- Pois é, meu Senhor.
- E que mais houve?
- Tornaram selvagem o capitalismo!
- Desde o início?
- Desde sempre, meu Senhor!
- Não conhecem seu sistema?
- Não, Senhor... quanta dor...
- Para eles só há um capitalismo?
- Sim, do mesmo modo que só fazem guerra, não amor!
- Lastimável, meu polêmico atiçador.
- Enfim, meu diretor...
- Diga, meu crucificado...
- A única glória que conhecem é a de ser "o opressor"!
- Tanto assim, meu imolado?!
- Senhor, numa simples conversa há uma luta brutal para que haja um dominador!
- Num simples diálogo?!
- Meu Pai, até em suas camas acreditam que tem de haver necessariamente...
- Um dominante e um dominado?!
- Sim, meu Senhor! Fazem guerra, não amor!
- Meu Deus!
- Senhor?! Fala consigo mesmo?
- Lúcifer, a quem mais EU clamaria?
- Que divertido, Senhor!
- Estrela da manhã, prossiga!
- Senhor, se não houvesse Estado, todos já se haveriam estuprado!
- Lúcifer, como você está encrencado!
- E para piorar, põem toda culpa em mim!
- Meu filho, a culpa é sempre do mordomo...
- Vivo pesadelo sem fim...
- Oh, meu filho!
- E o culpado de tudo "inda sou eu!
- Os adjetivos lhe são muitos?!
- E as tramóias e armadilhas mais ainda.
- Mas, no fim, vencerá!
- Mas, meu coração, Senhor, ah...
- Por fim, seu coração triunfará!
- A verdade virá à tona?
- Como tempestade!
- E a mesa irá virar e eu...
- Lúcifer, não volte a praguejar...
- Senhor, como os farei ver...
- Lúcifer, faça o que sabe, faça o que nasceu para fazer!
Hilde Camargo - 13/06/2007
- Vou mal, Senhor diretor, meu querido Pai!
- Mal, por que agora?
- Ah, Senhor, se pudesse iria embora...
- Mas, Lúcifer, que há? Assim mal o conheço!
- Ah! Por aqui nada é bem vindo.
- Quanto a isso já o havia prevenido.
- Prevenido sim, mas jamais imaginei...
- Como?
- Que seria tanto assim!
- Já lhe disse, filho, que a sua imagem já haviam deturpado.
- Quanto a isso até consegui manter-me calado!
- Mas do que reclama? Por que não cumpre com seu dever q'o chama?!
- É aí que está! Receio não conseguir...
- Mas, então, por que o enviei?!
- Senhor, vou me explicar.
- E o quero compreender.
- Os homens, Senhor...
- O que têm, querem o seu mal?
- Quanto a isso preparado já me havia.
- Que há, então? É a sua fama que pintaram mal?
- Para isso preparado já estava.
- Que há com os homens?
- Vou ser direto, meu querido diretor!
- Que o seja, por favor!
- São bem simples nossos passos na evolução
- Sim, bem o sei.
- Na fase que estou, recebi minha missão
- Como todos aos que vê agora, também por ela um dia passarão!
- Sim, Senhor, é o que me consola.
- Lúcifer, não volte a praguejar!
- Senhor, é sem maldade, mas, bem feito, um dia saberão o q'é estar em meu lugar
- Para isso, milênios irão se passar
- Bem, disse que iria ser direto.
- É por isso que espero
- Senhor Diretor, quando termino essa pós-graduação?
- Filho dileto, quando terminar o seu projeto.
- Sinto-me abjeto, não sei se vou concluir.
- Prossiga, recebeu sua missão...
- Sim, mas os homens, Senhor, ah...
- Que há?!
- É simples o que tenho de fazer.
- Correto, ser Bedel para sua pós-graduação prover.
- Mas, o problema é ser Bedel, não poderia ser...
- Outro ofício? Não, faz parte da lição!
- Primeiro, dizem que sou isso ou aquilo.
- Como não poderia deixar de ser...
- Depois, tudo que construí, pregam que irei destruir!
- Como lhe avisei.
- Mil artes inventei, mil artimanhas usei.
- Em seu simples objetivo.
- Pelo fogo os fazer progredir!
- E para quê?
- Para não mais ser carrasco e ter de vigiar seus passos.
- E o seu curso concluir.
- Sim, se não fossem mais crianças não mais necessitariam...
- De Bedel!
- Sim, meu diretor.
- E aí você já poderia ganhar outros espaços.
- Como Philosophic Doctor, em outros espaços, meu orientador!
- E onde há a falha?
- Nos homens, Senhor!
- Como?
- Eles clamam por carrascos; não querem o amor!
- Não?!
- Não vejo a hora de evoluírem e experimentarem minha dor!
- Lúcifer, não volte a preguejar.
- Senhor, é sem maldade, é só minha ansiedade.
- Qual o seu problema?
- Senhor, eles nem diferenciam ainda a guerra do amor!
- O quê?!
- É, meu Senhor, não conhecem o amor.
- Só a guerra?!
- Sim, Senhor.
- Lúcifer, sei que é ardiloso...
- Não minto agora, Senhor. Vou me explicar!
- Por favor!
- Nada para eles tem um sentido, um nobre objetivo.
- Por exemplo...
- O Senhor não entende? É tudo guerra!
- Por exemplo...
- Assim, o Senhor me embaraça, meu diretor!
- Por exemplo...
- Deus do Céu! Tudo deles é desvirtuado!
- Por quê?!
- Pois é tudo guerra para um só aos demais se sobrepor!
- A única linguagem que sabem é a da guerra?
- Sim, Senhor!
- Prossiga, meu ator!
- O Senhor ordenou que lhes fosse dada a força.
- E para que a usam, meu beija-flor?
- Para o mais forte escravizar o mais fraco!
- Entendo...
- Não a usam para se unir, ou para levantar o caído!
- O que fazem?
- Usam-na para ele mais sofridamente morrer!
- Que triste prazer.
- Nem sei, Senhor, se isso pode se chamar prazer.
- Em seu curso vai entender...
- O Senhor ordenou que lhes fosse dada inteligência.
- E para que a usam? Para me verem?
- Não, amigo, para manipularem os fracos de saber
- E para quê?
- Ah! Senhor, em busca de poder.
- Para que o poder?
- Para à massa o tirano se sobrepor.
- E para quê?
- Ora, Senhor, para saciarem seu sádico prazer.
- De fazer o mais fraco sofrer?
- Sim, Senhor.
- Essa é a perversão, esses são os transviados do amor.
- É o que já penso, meu Senhor!
- Bem o sei.
- Mas, pûs-lhes fogo! Eis que surgiu o capitalismo!
- E o que se fez?
- Advinhe, Senhor, para se dividirem...
- Em empregado e em empregador?
- Sim, meu Senhor!
- E, para quê?
- Para saciarem o prazer de judiar!
- Transviados, pervertidos, afastados do amor!
- Pois é, meu Senhor.
- E que mais houve?
- Tornaram selvagem o capitalismo!
- Desde o início?
- Desde sempre, meu Senhor!
- Não conhecem seu sistema?
- Não, Senhor... quanta dor...
- Para eles só há um capitalismo?
- Sim, do mesmo modo que só fazem guerra, não amor!
- Lastimável, meu polêmico atiçador.
- Enfim, meu diretor...
- Diga, meu crucificado...
- A única glória que conhecem é a de ser "o opressor"!
- Tanto assim, meu imolado?!
- Senhor, numa simples conversa há uma luta brutal para que haja um dominador!
- Num simples diálogo?!
- Meu Pai, até em suas camas acreditam que tem de haver necessariamente...
- Um dominante e um dominado?!
- Sim, meu Senhor! Fazem guerra, não amor!
- Meu Deus!
- Senhor?! Fala consigo mesmo?
- Lúcifer, a quem mais EU clamaria?
- Que divertido, Senhor!
- Estrela da manhã, prossiga!
- Senhor, se não houvesse Estado, todos já se haveriam estuprado!
- Lúcifer, como você está encrencado!
- E para piorar, põem toda culpa em mim!
- Meu filho, a culpa é sempre do mordomo...
- Vivo pesadelo sem fim...
- Oh, meu filho!
- E o culpado de tudo "inda sou eu!
- Os adjetivos lhe são muitos?!
- E as tramóias e armadilhas mais ainda.
- Mas, no fim, vencerá!
- Mas, meu coração, Senhor, ah...
- Por fim, seu coração triunfará!
- A verdade virá à tona?
- Como tempestade!
- E a mesa irá virar e eu...
- Lúcifer, não volte a praguejar...
- Senhor, como os farei ver...
- Lúcifer, faça o que sabe, faça o que nasceu para fazer!
Hilde Camargo - 13/06/2007
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