sábado, 1 de fevereiro de 2014

Antes que se morra

ANTES QUE SE MORRA
 

Antes que se morra,
Não estará nada tão destruído
Ao ponto de não poder ser lembrado;
Não estará nada tão esquecido
Ao ponto de não mais poder ser amado;
Não estará nada tão suficientemente amado;
Ao ponto de em saudade não mais ser recordado;

Pois, para o amor não há hodômetro
A limitar sua quantidade.
E, por isso, faz livre a saudade,
Para quantas e quais vezes quiser:
Recordar, reutilizar, reaplicar
Aquilo que foi ou a alma de quem foi e é amado.

Antes que se morra,
Tudo ainda pode ser tentado.
Antes que pereça,
Tudo que foi silenciado
Ainda poderá vir à tona.

E mesmo que se morra,
No concreto, no material,
O que é ideal,
Ainda pode renascer.
Posto que idéias não morrem.
No mundo das formas, só as formas perecem.
As verdades-idéias,
Estas, são imortais.
 


(Hilde Camargo - MARÇO DE 2008...)

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