ANTES QUE SE
MORRA
Antes que se morra,
Não estará nada tão destruído
Ao ponto de não poder ser
lembrado;
Não estará nada tão esquecido
Ao ponto de não mais poder ser
amado;
Não estará nada tão
suficientemente amado;
Ao ponto de em saudade não
mais ser recordado;
Pois, para o amor não há hodômetro
A limitar sua quantidade.
E, por isso, faz livre a
saudade,
Para quantas e quais vezes
quiser:
Recordar, reutilizar,
reaplicar
Aquilo que foi ou a alma de
quem foi e é amado.
Antes que se morra,
Tudo ainda pode ser tentado.
Antes que pereça,
Tudo que foi silenciado
Ainda poderá vir à tona.
E mesmo que se morra,
No concreto, no material,
O que é ideal,
Ainda pode renascer.
Posto que idéias não morrem.
No mundo das formas, só as
formas perecem.
As verdades-idéias,
Estas, são imortais.
(Hilde
Camargo - MARÇO DE 2008...)
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