sábado, 1 de fevereiro de 2014

Ao futuro crítico vazio e imbecil

Estou pensando sobre ser boa narratriz
Obrigar-me-ei a copiar Machado de Assis
Nessa mistura de mundo cruel e conselheiro
No coração de uma atriz!
Darei a você todos os elementos da narrativa;
Contarei até quantas gotas contém algum chafariz;
Não me importarão as idéias nem o fluxo agradável
Do que lhe dizer meu coração quis.
Só me prestarei a lhe dar detalhes desimportantes.
Contarei os dias, contarei as horas,
Contarei as personagens...
Descreverei a cor de suas unhas;
A espinha desnecessária da ponta do nariz,
D´algum mancebo infeliz,
Que tanto faz para o que diz.
Aumentarei em cem páginas
O que diria
azeitadamente em quinze.
Só para fazer mais um hipócrita quadradão "feliz"!
Mas, quer saber?
Agora, fui atriz.
Jamais farei vítimas com "sua" narrativa contabilista.
Não sou tão boa atriz.
Quer saber?
Não me leia, vá procurar boa meretriz.
Sua inveja não mudará o que FIZ!

Hilde Camargo - 04/02/2007

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