NADA DEMAIS...
Eu posso, de fato, deixar minha mente galopar qual poderoso corcel de fogo, quase supersonicamente, até fantásticos e absurdos lugares ideais (lugares-idéias) onde tudo se encaixe, faça sentido, e minha alma encontre a plenitude pela qual tanto anseia, e sejam esses lugares onde tudo se explique e façam sentido passado, presente e futuro, e eu possa ver do alto destes lugares a totalidade da explicação do sentido de nossas vidas e tudo, enfim, faça sentido; eu posso tudo isso talvez... como todos poderiam se não estivessem tão esquecidos de si mesmos de problema em problema, qual andantes de pousada em pousada.
Sim, poderíamos, se antes de tudo soubéssemos, de antemão, que após tudo isso, todo este orgasmo conceitual, soubéssemos tranqüilos, antes do início do percurso, que tudo isso seria apenas para descermos novamente ao cotidiano e nos sentarmos logo ali, na próxima e ignota esquina e saborearmos um simples sorvete – ou uma água se estivéssemos de regime. Sem flashes ou apoteoses. Orgasmo apenas... consumação de jornada...
O dia que o saber for menos “status”, seremos todos um pouco mais inteligentes, naturalmente.
Constantemente interrompemos (não por querer...) a solução do mistério do universo, aflitos, para não perdermos a hora de pagar mais uma última prestação qualquer...
Hilde Camargo – num/dia/esquisito.
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