Não basta dizer “eu queria estar ali”, ou, “queria estar
aí...”.
Não basta! Não... E, muito menos, imaginar, ou, supor,
ver o sol nascer pela mesma perspectiva que o objeto de seu amor próprio.
Sim, amor próprio... Este que idealiza as coisas mais
banais, mais cotidianas, e que banaliza, que se coloca à distância segura, que
rejeita e despreza o verdadeiro amor, o querer bem a um qualquer.
Não basta desejar, idealizar coisas tão simples e
cotidianas, numa alucinada projeção de seu próprio amor ou de sua boa performance.
Não basta teimar em dizer que é amor o que não passa de
um enfeite à sua personalidade.
O que basta é aquele sutil, porém, eloquente, divisor de
almas, que singela e instantaneamente separa aqueles ridicularizados que fazem
o trivial e cotidiano daqueles ridículos que esperam o ideal, o maravilhoso, o
bombástico, e, carregado de efeitos, acontecer, sem ao menos terem passado
perto de tocar a realidade (ou de lha dizer Bom Dia!...).
Hilde Camargo - 03.01.2015
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