domingo, 4 de janeiro de 2015

O QUE BASTA


            Não basta dizer “eu queria estar ali”, ou, “queria estar aí...”.
            Não basta! Não... E, muito menos, imaginar, ou, supor, ver o sol nascer pela mesma perspectiva que o objeto de seu amor próprio.
            Sim, amor próprio... Este que idealiza as coisas mais banais, mais cotidianas, e que banaliza, que se coloca à distância segura, que rejeita e despreza o verdadeiro amor, o querer bem a um qualquer.
            Não basta desejar, idealizar coisas tão simples e cotidianas, numa alucinada projeção de seu próprio amor ou de sua boa performance.
            Não basta teimar em dizer que é amor o que não passa de um enfeite à sua personalidade.

            O que basta é aquele sutil, porém, eloquente, divisor de almas, que singela e instantaneamente separa aqueles ridicularizados que fazem o trivial e cotidiano daqueles ridículos que esperam o ideal, o maravilhoso, o bombástico, e, carregado de efeitos, acontecer, sem ao menos terem passado perto de tocar a realidade (ou de lha dizer Bom Dia!...).

Hilde Camargo - 03.01.2015

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